sábado, 12 de agosto de 2017

Editing the genome of human beings: CRISPR-Cas9 and the ethics of genetic enhancement (artigo / 2017)

Em 2015, uma equipe de cientistas usou uma nova técnica de edição de genes chamada CRISPR-Cas9 para editar o genoma de 86 embriões humanos não-viáveis. O experimento provocou um debate mundial sobre a ética da edição genômica. 

Neste artigo, eu discuto inicialmente as principais questões éticas que foram abordadas nesse debate. Embora já exista um consenso emergente de que a pesquisa sobre a edição de células somáticas humanas para fins terapêuticos deve ser levada adiante, a perspectiva de usarmos edição genômica no futuro com o propósito de "aprimoramento humano" (human enhancement) tem sido bastante criticada. 

A principal tese que defendo neste artigo é que algumas das objeções recentemente levantadas contra a realização de aprimoramento genético no futuro não são justificadas. Apresento dois argumentos para a moralidade do aprimoramento genético. O primeiro argumento procura mostrar que o quadro conceitual com base no qual já avaliamos a moralidade e a legalidade de nossos "direitos de reprodução", especialmente no contexto dos procedimentos de IVF (fertilização in vitro), poderia ser utilizado na avaliação da moralidade e legalidade do aprimoramento genético. O segundo argumento coloca em questão a suposição de que o nível médio de desempenho cognitivo humano tenha um caráter normativo.

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© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "Editing the genome of human beings CRISPR-Cas9 and the ethics of genetic enhancemen". In: Journal of Evolution and Technology. vol. 27, n. 1, p. 24-42.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Análise da repercussão do primeiro experimento envolvendo o uso de CRISPR-Cas9 para a edição genética de embriões humanos nos Estados Unidos (Entrevista / 2017)

Em julho de 2017 foi noticiado o primeiro experimento envolvendo o uso de CRISPR-Cas9 na edição de embriões humanos nos Estados Unidos. Três experimentos desse tipo já haviam sido realizados na China entre abril de 2015 e início de 2017. Mas o experimento nos Estados Unidos foi diferente em alguns aspectos importantes: ele utilizou embriões viáveis, não teve mutações off-target, e apresentou um baixo índice de mosaicismo. 

Tal como o primeiro experimento na China, esse novo experimentou gerou uma série de reações na imprensa mundial e na comunidade científica. 

Nesta entrevista para a a revista do Instituto Humanitas Unisinos eu discuto algumas questões éticas importantes relacionadas ao uso de CRISPR-Cas9 em células humanas.

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© Como citar o texto dessa entrevista: 
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "Análise da repercussão do primeiro experimento envolvendo o uso de CRISPR-Cas9 para a edição genética de embriões humanos nos Estados Unidos". In: Instituto Humanitas Unisinos. Entrevista concedida a Patricia Fachin, em 9 de agosto de 2017. DOI: 10.13140/RG.2.2.34528.58885.

Este texto está também disponível no Research Gate.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

A ética da edição genômica em debate (programa de rádio)

Alcino Bonella tem um programa chamado “Quem sabe faz a hora”, na Rádio Universitária Uberlândia FM. O programa trata de questões éticas atuais. A convite do Alcino, eu falei na rádio esta semana sobre a ética da edição genômica. 

O uso de uma nova tecnologia para se "editar" o código genético de organismo vivos vem causando uma revolução na medicina, na biotecnologia, e na agropecuária. A ferramenta se chama CRISPR-Cas9. Essa nova tecnologia já foi usada, por exemplo, na produção de novas sementes de arroz e de batata, mais resistentes a pragas. CRISPR-Cas9 já foi usado também para a criação de mosquitos que não transmitem dengue e zika. Há também a expectativa de que CRISPR-Cas9 possa um dia levar à cura da AIDS e à erradicação de vários tipos de câncer e doenças hereditárias.

O problema, porém, é que que CRISPR-Cas9, em princípio, poderia ser usado também para outros fins como, por exemplo, modificar o genoma da varíola bovina com o objetivo de se recriar o agente patogênico que causa a varíola, erradicada no século XX. Ou seja: CRISPR-Cas9 poderia ser usado na produção de armas biológicas assustadoras.

Além disso, CRISPR-Cas9 poderia ser usado também, no futuro, para a modificação genética de embriões humanos que teriam características "melhoradas", ou seja embriões manipulados geneticamente com vistas à geração de crianças mais inteligentes, mais fortes, etc. Mas isso seria desejável, ou moralmente aceitável?

O debate sobre a ética da edição genômica está apenas começando.

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© Como citar este texto: 
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "A ética da edição genômica em debate". In: Quem sabe faz a hora. Rádio Universitária Uberlândia FM (107,5 MHz). Apresentação de Alcino Bonella. Uberlândia, 27 de julho (Parte 1) e 3 de agosto (Parte 2). DOI: 10.13140/RG.2.2.25592.75524.

Este texto está também disponível no Research Gate.

sábado, 22 de julho de 2017

Manipulação e Fake News: Debate no Goethe-Institut (2016)

Em dezembro de 2016, o Goethe-Institut do Rio de Janeiro organizou um debate sobre fake news. Christopher Bieber, Professor de Ética na Gestão Pública e Social da Universidade de Duisburg-Essen (Alemanha), fez uma palestra sobre o tema. Em seguida, eu apresentei alguns comentários, disponíveis no link abaixo. 

Tem havido muita discussão recentemente sobre como controlar, regular, ou banir fake news das redes sociais. No comentário, eu sugiro que a existência e proliferação de fake news podem contribuir para a gradual emergência de uma postura mais crítica relativamente às notícias que lemos e compartilhamos nas redes sociais. 

Eu chamo atenção para dois casos de fakes news criativas. O primeiro diz respeito a um programa de rádio produzido por Orson Welles em 1938; o segundo caso diz respeito às postagens do escritor Ricardo Lísias, em seu perfil no Facebook, ao longo de 2015.

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© Como citar esta palestra: 
ARAUJO, Marcelo de. 2016. "Manipulação e fake news". Debate na Biblioteca do Goethe-Institut. Rio de Janeiro, 7 de dezembro.
DOI: 10.13140/RG.2.2.17363.07207

terça-feira, 20 de junho de 2017

Próteses na cultura do período entreguerras: Uma investigação sobre as origens do debate filosófico sobre "aprimoramento humano" (2017 / artigo)

No debate filosófico contemporâneo, denomina-se “aprimoramento humano” a tentativa de se elevar nosso rendimento, no exercício de certas capacidades físicas ou cognitivas, a um patamar superior àquele considerado normal. O “aprimoramento humano” suscita uma série de questões éticas acerca das implicações sociais decorrentes do uso de tecnologias, não para se tratar uma doença ou restabelecer capacidades físicas perdidas em acidentes, mas para ampliar as capacidades físicas ou cognitivas de uma pessoa saudável. 

O objetivo deste artigo é mostrar que esse debate não é novo. Ele surgiu há quase cem anos, no período entreguerras, no contexto de um amplo debate sobre quais tipos de próteses permitiriam aos ex-combatentes, mutilados durante a guerra, serem reintegrados à força de trabalho de seus países de origem.

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© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "Próteses na cultura do período entreguerras: Uma investigação sobre as origens do debate filosófico sobre aprimoramento humano". In Prometeus. 23(maio-agosto): p. 267-298. ISSN: 2176-5960 

Imanges
Para este artigo eu selecionei um total de 11 imagens, mas apenas 4 puderam ser incluídas na versão publicada. A seguir, a lista completa das imagens originalmente selecionadas. Basta clicar no link para acessar a imagem em alta resolução.


“Reconstruindo o soldado aleijado”. Livreto da Cruz Vermelha. Fonte: McMurtrie, 1918, p.2.




“Reconstruindo o soldado aleijado”. Livreto da Cruz Vermelha. Fonte: McMurtrie, 1918, p.6.



figura 3:
“Prótese científica” e “mão de passeio”. Fonte: Amar, 1917, p.289.
figura 4:
“Prótese científica” e “mão de passeio”. Fonte: Amar, 1917, p.295.
Pino de marfim atravessa canal criado na extremidade do membro amputado. Fonte: Sauerbruch, 1919, p.240.
figura 6:
Modelo de prótese projetada por Sauebruch. Fonte: Sauerbruch, 1919, p.242.
figura 7:
“Cabeça mecânica − o espírito de nosso tempo” (Mechanischer Kopf − Der Geist Unserer Zeit), 1920, de Raoul Hausmann.

figura 8:
“Os jogadores de skat” (Die Skatspieler), 1920, de Otto Dix. 

figura 9:
“Monumento à prótese desconhecida” (Denkmal der unbekannten Prothesen),1930, de Heinrich Hoerle.
figura 10:
“Autômatos republicanos” (Republikanische Automaten), 1920, de George Grosz.

figura 11:
“Daum se casa com George, seu autômato pedante, em maio de 1920. John Heartfield se alegra.” (Daum heiratet ihren pedantischen Automat George in Mai 1920. John Heartfield erfreut sich), 1920, de George Grosz.


sábado, 10 de junho de 2017

Um dossiê sobre aprimoramento humano: Introdução (artigo / 2017)

Este é o artigo introdutório de um número especial da revista Filosofia Unisinos, dedicado ao debate contemporâneo sobre "aprimoramento humano" (human enhancement). O dossiê traz a contribuição de quatro autores brasileiros para esse debate: Maria Clara Dias, Marco Azevedo, Cinara Nahra, e Marcelo de Araujo. 

Os quatro artigos que integram o dossiê foram especialmente escritos para esta edição. Faz também parte do dossiê uma sequência de comentários em que as autoras e autores dos artigos se posicionam uns relativamente às teses e teorias defendidas ou criticadas pelos demais.


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© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "Um dossiê sobre aprimoramento humano: Introdução". In: Filosofia Unisinos, vol. 17(3):346-351, sep/dec 2016. DOI: doi: 10.4013/fsu.2016.173.16.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Redesenhando a natureza humana: Bio-aprimoramento moral e a busca pela resolução de conflitos políticos (artigo / 2017)

A suposição de que conflitos políticos decorrem do caráter egoísta da natureza humana é uma ideia bastante antiga. Essa ideia perpassa a obra de autores tão diversos como, por exemplo, Maquiavel, Thomas Hobbes, Sigmund Freud, e Hans Morgenthau. Essa tese foi também recentemente retomada no debate sobre o bioaprimoramento moral. 

Os defensores do bioaprimoramento moral sustentam duas teses: [1] A biotecnologia poderia ser utilizada para modificar a natureza humana, tornando as pessoas mais cooperativas e menos egoístas; e [2] Um incremento da disposição para a cooperação social, para a benevolência e para a empatia reduziria a ocorrência de conflitos políticos violentos na arena internacional. 

Neste artigo, eu proponho que a primeira tese pode até ser verdadeira, mas disso não se segue que conflitos políticos na arena internacional possam ser contornados por meio da biotecnologia. A tese que defendo é que o bioaprimoramento moral da humanidade não reduziria a probabilidade de que ocorram guerras nucleares, bioterrorismo, ou cyber-attacks no futuro.

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© Como citar este artigo:
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "Redesenhando a natureza humana: Bio-aprimoramento moral e a busca pela resolução de conflitos políticos". In: Filosofia Unisinos, vol. 17(3):374-383, sep/dec 2016. DOI: doi: 10.4013/fsu.2016.173.16.

sábado, 6 de maio de 2017

O que é a ética do aprimoramento humano? (2017 / palestra)

Este é o texto de uma palestra que fiz em maio de 2017, por ocasião da "XIII Semana de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro". Trata-se basicamente de uma introdução à discussão filosófica sobre a ética do aprimoramento humano para estudantes de graduação e pós-graduação. 

O trabalho faz uma distinção entre “método de aprimoramento” e “tipo de capacidade humana” que se visa aprimorar. Da relação entre essas duas ideias se seguem diversos problemas morais diferentes, que tornam o debate filosófico contemporâneo sobre a ética do aprimoramento humano bastante amplo e complexo. O trabalho defende a tese segundo a qual não há uma linha fixa que delimite o âmbito do tratamento do âmbito do aprimoramento. A referência ao “efeito Flynn” é explorada como um dos argumentos em favor dessa tese.

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[ slides ]

© Como citar o texto desta conferência:
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "O que é a ética do aprimoramento humano". XIII Semana de Pós Graduação em Filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 27 de maio de 2017, 11p. DOI:10.13140/RG.2.2.18967.57760.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Os homens por trás da toga (2017 / entrevista)

Que os juízes nos tribunais tenham de justificar suas decisões, essa é uma ideia trivial. Mas o que conta, e o que não conta, como uma decisão jurídica bem fundamentada? Até que ponto as decisões jurídicas não seriam talvez influenciadas por fatores inteiramente externos ao âmbito estrito da argumentação jurídica?

Essas são algumas das questões que um grupo de pesquisadores da Filosofia do Direito, no Brasil e na Inglaterra, se propôs a examinar. O projeto de pesquisa contou com o apoio financeiro da FAPERJ. A equipe de pesquisadores é formada por Noel Struchiner, Fabio Shecaira, Veronica Rodirguez-Blanco, e Marcelo de Araujo.

Nessa reportagem para a revista Rio Pesquisa, a jornalista Aline Salgado fala sobre o nosso trabalho. Para acessar, é só seguir o link.

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[ site ]

Como citar esta reportagem: 
SALGADO, Aline. 2017. "Os homens por trás da toga". In: Rio Pesquisa, n. 37, ano IX, p. 10-12.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Avenida Rio Branco, esquina com Ouvidor (2015 / ficção)

No Brasil, não faltam crimes nas manchetes de jornal e noticiários da TV. Então, que importância ainda teria nos lembrarmos de um homicídio que ocorreu há 100 anos na cidade do Rio de Janeiro? “Avenida Rio Branco, esquina com Ouvidor” é uma narrativa de ficção sobre a morte do poeta gaúcho Annibal Theophilo, morto pelo deputado federal Gilberto Amado em 1915. O crime ocorreu em plena Avenida Rio Branco, na esquina com a Rua do Ouvidor, no centro do Rio.

Todos os diálogos deste conto foram diretamente extraídos de jornais da época, que publicavam diariamente notícias sobre o crime que abalou a cidade do Rio de Janeiro, mas que depois foi caindo em esquecimento.

Trecho: "Paulo, contudo, como se quisesse demonstrar na prática o que propusera a Gilberto em teoria, e para que não o acusassem de incoerência depois, empunhou em riste a bengala e partiu para cima do poeta. Aníbal, mais corpulento do que Paulo, surpreendeu o agressor: agarrou-o pela gola fazendo o homem sacudir dentro do fraque. Foi uma gritaria no saguão, um pandemônio de se ouvir na Rio Branco: mais insultos, ofensas, acusações que vinham de todos os flancos descobertos. Os Champs-Élysées nos trópicos mais lembravam agora as trincheiras de uma guerra em pleno curso na Europa. Mas não durou muito tempo o combate. Foram três disparos de um revólver para encerrar o conflito. Duas balas na parede. A terceira, desferida pelas costas, atingiu Aníbal na nuca. O poeta morreu na ambulância a caminho do hospital."

As razões para o esquecimento do crime dizem muito sobre a nossa incapacidade para preservar adequadamente nossa memória e escrevermos nossa história. Num texto publicado na Revista de História da Biblioteca Nacional eu abordo essa questão.

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[ site ]
[ imagem ] Revista Fon Fon, 26 de julho de 1915, p. 22. 

© Como citar este conto:
ARAUJO, Marcelo de. 2015. "Avenida Rio Branco, esquina com Ouvidor". dEsEnrEdoS. Teresina, ano VII, n. 24, p. 1-8. ISSN 2175-3903

Cyberwar, political realism, and world state (2013)

Em junho de 2016 a OTAN passou a reconhecer a internet como um novo espaço para operações militares. Expressões como “cyber attack” e “cyberwar” vão se tornando cada vez mais correntes na imprensa. Na discussão filosófica sobre as relações internacionais, existem muitas teorias sobre "guerra justa". Mas até que ponto essas teorias seriam capazes de dar conta dessa nova modalidade de combate?

Este artigo foi apresentado em novembro de 2013 na PUC de Porto Alegre durante o 6th International Symposium on Justice. A tese que defendo no texto é que os avanços tecnológicos que ocorreram na área militar entre o final da Segunda Guerra Mundial e a revolução da informação que presenciamos em nossos dias tornaram obsoletas as teorias tradicionais sobre “guerra justa”. Nosso maior desafio hoje em dia não é tanto o de repensar os princípios de justiça que devem ser aplicados dentro do sistema de Estados. O maior desafio hoje é pensarmos em uma alternativa à própria estrutura do sistema de Estados.  

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© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2013. "Cyberwar, political realism, and world state". In 6th International Symposium on Justice, Porto Alegre (Brazil): The Pontifical Catholic University. DOI: 10.13140/RG.2.1.2687.1445.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

A criação de chatbots é o futuro do trabalho do escritor? Gerando narrativas de ficção em sociedades algorítmicas (2016)

Este é o resumo de uma comunicação feita no III Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional”, realizado entre os dias 15 e 19 de novembro de 2016 no Instituto de Letras da UERJ.

Na imprensa americana aparecem todos os dias milhares de artigos escritos por programas de computador. Mas os leitores mal se dão conta de que por trás das matérias não há uma pessoa de fato, mas um “jornalista robô”. No debate político vem ocorrendo um fenômeno semelhante: o fórum para discussão hoje em dia são as redes sociais, mas uma boa parte das opiniões expressas sob a forma de tweets não são escritas por pessoas, mas por inteligência artificial. Como um órgão da imprensa noticiou o problema: “Robôs dominam debate político nas redes sociais”. Em março de 2016 os organizadores do Prêmio Nikkei Hoshi Shinichi de Literatura, no Japão, anunciaram que, dos 1450 romances inscritos, 11 foram escritos em “co-autoria” com algoritmos. Um deles chegou às finais. Já existem até concursos literários voltados para narrativas de ficção geradas por inteligência artificial. 

Uma questão de que a teoria literária terá de se ocupar daqui para frente diz respeito à natureza desse tipo de produção textual. Quem são seus autores? Que personagens são esses nos debates políticos? Qual é o lugar do escritor em sociedades em que narrativas de ficção são geradas por algoritmos? 

O objetivo desta comunicação é examinar essas questões. Pretendo me concentrar na discussão sobre “chatbots”: programas de computador com os quais interagimos através de mensagens de texto. O primeiro chatbot foi criado por J. Weizenbaum em 1966 e se chamava Eliza. O nome é uma homenagem à personagem Eliza Doolittle, da peça Pygmalion (1913), de G. B. Shaw. Mas agora, 50 anos depois, a relação entre chatbots e a literatura se tornou mais estreita. Um chatbot é antes de qualquer coisa uma obra de ficção escrita em linguagem de programação. A criação de chatbots sofisticados vem exigindo cada vez mais o trabalho conjunto de programadores e escritores profissionais. Minha intenção é discutir uma concepção de intertextualidade que nos permita compreender a relação entre narrativas de ficção e linguagem de programação.

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© Como citar este abstract: 
ARAUJO, Marcelo de. 2016. 
A criação de chatbots é o futuro do trabalho do escritor? Gerando narrativas de ficção em sociedades algorítmicas”. In: A personagem nos mundos possíveis do insólito ficcional. Caderno de resumos e programação. III Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional. Rio de Janeiro: UERJ /  Instituto de Letras, p. 208.
(ISBN 978-85-8199-055-2).

terça-feira, 22 de novembro de 2016

The “homo prostheticus” is back: The current debate on the ethics of human enhancement and the prosthetic limbs of the interwar years (2016)

Em novembro de 2016 ocorreu na cidade de São Carlos, em São Paulo, o encontro bianual do Brazilian Humboldt Kolleg, promovido pela Fundação Alexander von Humboldt. O tema deste ano foi "Environments: technoscience and its relation to sustainability, ethics, aesthetics, health and the human future". O evento reuniu pesquisadores de diversas áreas, e diferentes partes do mundo, para a discussão de suas pesquisas.

Eu falei sobre a história das próteses do período que transcorreu entre a Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Pode não parecer, mas essa discussão é importante para compreendermos melhor o debate filosófico contemporâneo sobre o aprimoramento humano. No link, o resumo da comunicação que apresentei.

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[ página do evento ]

© Como citar este abstract: 
ARAUJO, Marcelo de. "The “homo prostheticus” is back: The current debate on the ethics of human enhancement and the prosthetic limbs of the interwar years". In: Brazilian Humboldt Kolleg: Environments: technoscience and its relation to sustainability, ethics, aesthetics, health and the human future. São Carlos: Universidade Federal de São Carlos, 3-6 de novembro, p. 71-73. 
ISBN: 978-85-7241-846-1.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O uso de inteligência artificial para a geração automatizada de textos acadêmicos: plágio ou meta-autoria? (2016)

Nem sempre nos damos conta disso, mas existem muitos textos publicados na imprensa de língua inglesa que não foram escritos por jornalistas de verdade, mas por programas de computador. Já existem milhares de livros, vendidos na livraria da Amazon, que não foram escritos por pessoas, mas por algoritmos capazes de compilar textos sobre temas específicos a partir de outros textos disponíveis online. 

Em 2014, a editora Springer constatou que mais de 120 textos, gerados por algoritmos, haviam sido publicados em algumas de suas revistas. Mais recentemente, dois grupos de pesquisadores publicaram suas pesquisas sobre o uso de algoritmos capazes de gerar hipóteses científicas para serem testadas empiricamente. E no início de 2016 um pesquisador do MIT criou um algoritmo capaz de gerar automaticamente discursos políticos a partir da análise dos discursos feitos pelos congressistas americanos. 

Não deve transcorrer muito tempo, portanto, até que o uso de algoritmos para a geração de textos acadêmicos comece a se difundir nas universidades também. 

O objetivo deste artigo é discutir algumas das implicações do uso de inteligência artificial para a produção de textos acadêmicos, especialmente textos de filosofia. Noções como “autoria” e “originalidade”, como sugiro no artigo, terão de ser redefinidas no futuro.

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© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. "O uso de inteligência artificial para a geração automatizada de textos acadêmicos: plágio ou meta-autoria?". In: Logeion: Filosofia da Informação, vol. 3, n. 1, 2016, p. p. 89-107. 

terça-feira, 6 de setembro de 2016

World War I to the age of the cyborg: the surprising history of prosthetic limbs (2016)

Você não gostaria de ser mais inteligente ou mais forte? E se novas tecnologias fossem utilizadas para aumentar nossas capacidades físicas e cognitivas? Tem havido muita discussão atualmente sobre a ética do “aprimoramento humano”. Avanços tecnológicos recentes podem talvez ter desencadeado esse debate. Mas a preocupação com a ética do aprimoramento humano não é nova. 

Para avaliarmos as consequências do aprimoramento humano no futuro eu proponho que examinemos antes o debate sobre o aprimoramento humano no passado. Esse artigo mostra que a investigação histórica sobre a produção em massa de próteses durante o período entre a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais é imprescindível para compreendermos melhor o debate filosófico atual sobre aprimoramento humano.

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© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. "World War I to the age of the cyborg: the surprising history of prosthetic limbs. What century-old prosthetic limbs reveal about attitudes towards human enhancement today". In The Conversation, 6 de setembro de 2016.