quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Os homens por trás da toga (2017)

Que os juízes nos tribunais tenham de justificar suas decisões, essa é uma ideia trivial. Mas o que conta, e o que não conta, como uma decisão jurídica bem fundamentada? Até que ponto as decisões jurídicas não seriam talvez influenciadas por fatores inteiramente externos ao âmbito estrito da argumentação jurídica?

Essas são algumas das questões que um grupo de pesquisadores da Filosofia do Direito, no Brasil e na Inglaterra, se propôs a examinar. O projeto de pesquisa contou com o apoio financeiro da FAPERJ. A equipe de pesquisadores é formada por Noel Struchiner, Fabio Shecaira, Veronica Rodirguez-Blanco, e Marcelo de Araujo.

Nessa reportagem para a revista Rio Pesquisa, a jornalista Aline Salgado fala sobre o nosso trabalho. Para acessar, é só seguir o link.

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Como citar esta reportagem: 
SALGADO, Aline. 2017. "Os homens por trás da toga". In: Rio Pesquisa, n. 37, ano IX, p. 10-12.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Avenida Rio Branco, esquina com Ouvidor (2015 / ficção)

No Brasil, não faltam crimes nas manchetes de jornal e noticiários da TV. Então, que importância ainda teria nos lembrarmos de um homicídio que ocorreu há 100 anos na cidade do Rio de Janeiro? “Avenida Rio Branco, esquina com Ouvidor” é uma narrativa de ficção sobre a morte do poeta gaúcho Annibal Theophilo, morto pelo deputado federal Gilberto Amado em 1915. O crime ocorreu em plena Avenida Rio Branco, na esquina com a Rua do Ouvidor, no centro do Rio.

Todos os diálogos deste conto foram diretamente extraídos de jornais da época, que publicavam diariamente notícias sobre o crime que abalou a cidade do Rio de Janeiro, mas que depois foi caindo em esquecimento.

As razões para o esquecimento do crime dizem muito sobre a nossa incapacidade para preservar adequadamente nossa memória e escrevermos nossa história. Num texto publicado na Revista de História da Biblioteca Nacional eu abordo essa questão.

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[ imagem ] Revista Fon Fon, 26 de julho de 1915, p. 22. 

© Como citar este conto:
ARAUJO, Marcelo de. 2015. "Avenida Rio Branco, esquina com Ouvidor". dEsEnrEdoS. Teresina, ano VII, n. 24, p. 1-8. ISSN 2175-3903

Cyberwar, political realism, and world state (2013)

Em junho de 2016 a OTAN passou a reconhecer a internet como um novo espaço para operações militares. Expressões como “cyber attack” e “cyberwar” vão se tornando cada vez mais correntes na imprensa. Na discussão filosófica sobre as relações internacionais, existem muitas teorias sobre "guerra justa". Mas até que ponto essas teorias seriam capazes de dar conta dessa nova modalidade de combate?

Este artigo foi apresentado em novembro de 2013 na PUC de Porto Alegre durante o 6th International Symposium on Justice. A tese que defendo no texto é que os avanços tecnológicos que ocorreram na área militar entre o final da Segunda Guerra Mundial e a revolução da informação que presenciamos em nossos dias tornaram obsoletas as teorias tradicionais sobre “guerra justa”. Nosso maior desafio hoje em dia não é tanto o de repensar os princípios de justiça que devem ser aplicados dentro do sistema de Estados. O maior desafio hoje é pensarmos em uma alternativa à própria estrutura do sistema de Estados.  

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© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2013. "Cyberwar, political realism, and world state". In 6th International Symposium on Justice, Porto Alegre (Brazil): The Pontifical Catholic University. DOI: 10.13140/RG.2.1.2687.1445.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

A criação de chatbots é o futuro do trabalho do escritor? Gerando narrativas de ficção em sociedades algorítmicas (2016)

Este é o resumo de uma comunicação feita no III Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional”, realizado entre os dias 15 e 19 de novembro de 2016 no Instituto de Letras da UERJ.

Na imprensa americana aparecem todos os dias milhares de artigos escritos por programas de computador. Mas os leitores mal se dão conta de que por trás das matérias não há uma pessoa de fato, mas um “jornalista robô”. No debate político vem ocorrendo um fenômeno semelhante: o fórum para discussão hoje em dia são as redes sociais, mas uma boa parte das opiniões expressas sob a forma de tweets não são escritas por pessoas, mas por inteligência artificial. Como um órgão da imprensa noticiou o problema: “Robôs dominam debate político nas redes sociais”. Em março de 2016 os organizadores do Prêmio Nikkei Hoshi Shinichi de Literatura, no Japão, anunciaram que, dos 1450 romances inscritos, 11 foram escritos em “co-autoria” com algoritmos. Um deles chegou às finais. Já existem até concursos literários voltados para narrativas de ficção geradas por inteligência artificial. 

Uma questão de que a teoria literária terá de se ocupar daqui para frente diz respeito à natureza desse tipo de produção textual. Quem são seus autores? Que personagens são esses nos debates políticos? Qual é o lugar do escritor em sociedades em que narrativas de ficção são geradas por algoritmos? 

O objetivo desta comunicação é examinar essas questões. Pretendo me concentrar na discussão sobre “chatbots”: programas de computador com os quais interagimos através de mensagens de texto. O primeiro chatbot foi criado por J. Weizenbaum em 1966 e se chamava Eliza. O nome é uma homenagem à personagem Eliza Doolittle, da peça Pygmalion (1913), de G. B. Shaw. Mas agora, 50 anos depois, a relação entre chatbots e a literatura se tornou mais estreita. Um chatbot é antes de qualquer coisa uma obra de ficção escrita em linguagem de programação. A criação de chatbots sofisticados vem exigindo cada vez mais o trabalho conjunto de programadores e escritores profissionais. Minha intenção é discutir uma concepção de intertextualidade que nos permita compreender a relação entre narrativas de ficção e linguagem de programação.

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© Como citar este abstract: 
ARAUJO, Marcelo de. 2016. 
A criação de chatbots é o futuro do trabalho do escritor? Gerando narrativas de ficção em sociedades algorítmicas”. In: A personagem nos mundos possíveis do insólito ficcional. Caderno de resumos e programação. III Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional. Rio de Janeiro: UERJ /  Instituto de Letras, p. 208.
(ISBN 978-85-8199-055-2).

terça-feira, 22 de novembro de 2016

The “homo prostheticus” is back: The current debate on the ethics of human enhancement and the prosthetic limbs of the interwar years (2016)

Em novembro de 2016 ocorreu na cidade de São Carlos, em São Paulo, o encontro bianual do Brazilian Humboldt Kolleg, promovido pela Fundação Alexander von Humboldt. O tema deste ano foi "Environments: technoscience and its relation to sustainability, ethics, aesthetics, health and the human future". O evento reuniu pesquisadores de diversas áreas, e diferentes partes do mundo, para a discussão de suas pesquisas.

Eu falei sobre a história das próteses do período que transcorreu entre a Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Pode não parecer, mas essa discussão é importante para compreendermos melhor o debate filosófico contemporâneo sobre o aprimoramento humano. No link, o resumo da comunicação que apresentei.

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[ página do evento ]

© Como citar este abstract: 
ARAUJO, Marcelo de. "The “homo prostheticus” is back: The current debate on the ethics of human enhancement and the prosthetic limbs of the interwar years". In: Brazilian Humboldt Kolleg: Environments: technoscience and its relation to sustainability, ethics, aesthetics, health and the human future. São Carlos: Universidade Federal de São Carlos, 3-6 de novembro, p. 71-73. 
ISBN: 978-85-7241-846-1.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O uso de inteligência artificial para a geração automatizada de textos acadêmicos: plágio ou meta-autoria? (2016)

Nem sempre nos damos conta disso, mas existem muitos textos publicados na imprensa de língua inglesa que não foram escritos por jornalistas de verdade, mas por programas de computador. Já existem milhares de livros, vendidos na livraria da Amazon, que não foram escritos por pessoas, mas por algoritmos capazes de compilar textos sobre temas específicos a partir de outros textos disponíveis online. 

Em 2014, a editora Springer constatou que mais de 120 textos, gerados por algoritmos, haviam sido publicados em algumas de suas revistas. Mais recentemente, dois grupos de pesquisadores publicaram suas pesquisas sobre o uso de algoritmos capazes de gerar hipóteses científicas para serem testadas empiricamente. E no início de 2016 um pesquisador do MIT criou um algoritmo capaz de gerar automaticamente discursos políticos a partir da análise dos discursos feitos pelos congressistas americanos. 

Não deve transcorrer muito tempo, portanto, até que o uso de algoritmos para a geração de textos acadêmicos comece a se difundir nas universidades também. 

O objetivo deste artigo é discutir algumas das implicações do uso de inteligência artificial para a produção de textos acadêmicos, especialmente textos de filosofia. Noções como “autoria” e “originalidade”, como sugiro no artigo, terão de ser redefinidas no futuro.

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© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. "O uso de inteligência artificial para a geração automatizada de textos acadêmicos: plágio ou meta-autoria?". In: Logeion: Filosofia da Informação, vol. 3, n. 1, 2016, p. p. 89-107. 

terça-feira, 6 de setembro de 2016

World War I to the age of the cyborg: the surprising history of prosthetic limbs (2016)

Você não gostaria de ser mais inteligente ou mais forte? E se novas tecnologias fossem utilizadas para aumentar nossas capacidades físicas e cognitivas? Tem havido muita discussão atualmente sobre a ética do “aprimoramento humano”. Avanços tecnológicos recentes podem talvez ter desencadeado esse debate. Mas a preocupação com a ética do aprimoramento humano não é nova. 

Para avaliarmos as consequências do aprimoramento humano no futuro eu proponho que examinemos antes o debate sobre o aprimoramento humano no passado. Esse artigo mostra que a investigação histórica sobre a produção em massa de próteses durante o período entre a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais é imprescindível para compreendermos melhor o debate filosófico atual sobre aprimoramento humano.

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© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. "World War I to the age of the cyborg: the surprising history of prosthetic limbs. What century-old prosthetic limbs reveal about attitudes towards human enhancement today". In The Conversation, 6 de setembro de 2016.

domingo, 28 de agosto de 2016

Crônica de uma morte esquecida (2016)

Por que revisitar um crime que aconteceu há cem anos na cidade do Rio de Janeiro, em plena Avenida Rio Branco? 

A proposta deste artigo é reconstruir as circunstâncias em torno da morte do poeta gaúcho Aníbal Teófilo, assassinado pelo deputado federal Gilberto Amado em junho 1915. 

A causa do crime foi uma disputa literária. Amado foi absolvido pelo tribunal de júri da época, mas continuou a exercer cargos públicos: ele foi senador da República, professor de direito penal da Faculdade de Direito de Recife e da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Amado foi também diplomata, embaixador, e diretor da Caixa Econômica Federal. Em 1963 Amado tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras. Mas o episódio de 1915 não é mencionado em sua biografia. A morte de Aníbal Teófilo acabou caindo em esquecimento. 

A primeira versão deste artigo foi publicada sob a forma de uma narrativa ficcional na revista Desenredos em outubro de 2015.

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© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. "Crônica de uma morte esquecida: Após assassinar o poeta Annibal Teophilo, o escritor e político Gilberto Amado foi absolvido e continuou em cargos públicos.” In: Revista de História. Biblioteca Nacional: Rio de Janeiro, n. 124, p. 36-39, 28 julho de 2016.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Ética nos esportes: Revisitando a questão do doping à luz do debate sobre aprimoramento humano (2016)

O uso de certas drogas para fins de melhoramento do desempenho nos esportes é banido pelas autoridades esportivas. Mas como pretendo mostrar neste artigo, os principais argumentos contra o uso de tecnologias para aprimoramento nos esportes são problemáticos. 

Autores como, por exemplo, Michael Sandel se comprometem com uma concepção metafísica de natureza humana na defesa da manutenção das regras que proíbem o uso de doping. Essa concepção de natureza humana, como procuro mostrar no artigo, é incompatível com a ideia corrente segundo a qual seres humanos resultam de um gradual processo de evolução por seleção natural. 

Disso não se segue, porém, como procuro mostrar na última sessão do artigo, que nenhuma das regras que proíbem o uso de tecnologias para fins de aprimoramento nos esportes seja moralmente justificada. O artigo argumenta em prol de uma liberação parcial de algumas drogas e procedimentos para fins de melhoramento do desempenho nos esportes.

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© Como citar este artigo:
ARAUJO, Marcelo de. 2016. "Ética nos esportes: Revisitando a questão do doping à luz do debate sobre aprimoramento humano". Prometeus, vol. 9, n. 20, p. 17-39. (ISSN: 2176-5960).

quarta-feira, 20 de julho de 2016

CRISPR-Cas9: Editando o DNA de plantas, animais, e do próprio ser humano (2016)

CRISPR-Cas9 é uma ferramenta revolucionária para se “recortar e colar” o DNA de qualquer organismo vivo. CRISPR-Cas9 abre as portas para o tratamento e cura de inúmeras doenças hereditárias. CRISPR-Cas9 já tornou possível a criação de mosquitos que não transmitem malária ou dengue, e de sementes mais resistentes a pragas. Especula-se que, nas próximas décadas, porcos geneticamente modificados poderiam ser usados para produzir órgãos que poderiam então ser transplantados em seres humanos.

Mas que tipo de limite deveria ser imposto ao uso dessa nova tecnologia? Do ano passado para cá já foram realizados quatro fóruns mundiais para se debater as implicações éticas e jurídicas da edição do genoma de plantas, animais, e do próprio ser humano. No Brasil, o debate ainda está começando. No link, um artigo meu sobre o tema.

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© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. "Brasil e o genoma humano, discussões sobre o CRISPR-Cas9". In: Revista do Instituto Humanitas Unisinos (São Leopoldo), n. 489, ano 16, 18 de julho de 2016, p. 13-15. (ISSN 1981-8793). 

Erratum: o artigo afirma que até julho de 2016 dois encontros mundiais já haviam sido realizados para a discussão sobre as implicações éticas e sociais do uso de CRISPR-Cas9. Na verdade, até julho quatro encontros foram realizados: três em Washington e um em Paris. Um sumário dos encontros, incluindo videos dos debates, está disponível no site da NAS

sábado, 9 de julho de 2016

Intertextualidade, metaficção e autoficção: Fronteiras da narrativa de ficção na literatura do início do século XXI (2016)

Na literatura da segunda metade do século XX, existem várias obras em que é explícita a alusão e até mesmo a apropriação de elementos de outras obras literárias. Narrativas de ficção que têm como tema a própria produção de narrativas de ficção se tornaram também frequentes na literatura contemporânea. Em algumas obras literárias, a linha que perpassa a fronteira entre a figura do autor e a figura do narrador se tornou bastante fluida. 

O objetivo deste artigo é examinar como algumas obras literárias bem recentes, produzidas nos últimos dez anos, têm levado a intertextualidade, a metaficção, e a autoficção às últimas consequências. Essas obras, como procuro mostrar no artigo, exploram as fronteiras da literatura com as artes visuais, com o plágio, com relatos autobiográficos, e com o universo de textos publicados sob a forma de postagens nas redes sociais. 

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© Como citar esta artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. "Intertextualidade, metaficção e autoficção: Fronteiras da narrativa de ficção na literatura do início do século XXI". Viso, 2016, vol. 18, p. 141-161. (ISSN 1981-4062).

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Entre o tratamento e o aprimoramento humano (2015 / entrevista)

Em épocas de Olimpíadas ou de Copa do Mundo vem novamente à tona a discussão sobre o doping nos esportes. Mas já faz algum tempo algumas pessoas vêm se perguntando se não haveria uma outra modalidade de doping, fora dos estádios esportivos: o uso de drogas para melhorar o rendimento nos estudos. Muitas pessoas vêm recorrendo a drogas como metilfenidato ou modafinil para se preparar para provas e concursos. Essas drogas são às vezes denominadas "smart drugs". Mas "smart drugs" realmente funcionam? Elas são seguras? A que tipo de regulação drogas para fins de "melhoramento cognitivo" deveriam ser submetidas? 

Ao mesmo tempo em que começa a surgir no Brasil e em outros países um amplo debate sobre a legalização de drogas para fins "recreacionais", a discussão sobre a existência, eficácia, e segurança de drogas para "aprimoramento cognitivo" não é sequer considerada. 

A Revista da Unisinos dedicou esse número de junho ao debate sobre "smart drugs". Esse debate, como procuro mostrar na entrevista, está subordinado a um debate ainda mais amplo, e que diz respeito ao uso de novas tecnologias para fins de melhoramento de nossa performance em diversas atividades físicas e cognitivas. No link, minha contribuição para o tema. 

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© Como citar esta entrevista: 
ARAUJO, Marcelo de. "Entre o tratamento e o aprimoramento humano?" Entrevista concedida a Ricardo Machado. In: Revista do Instituto Humanitas Unisinos. São Leopoldo, vol. 487, ano 16, 2016, p. 37-42 (ISSN 1981-8769).

segunda-feira, 9 de maio de 2016

David Hume e o “número de Dunbar”: uma abordagem evolucionista sobre os fundamentos da moralidade (2016)

Quantos amigos você tem no Facebook? Mais de 150? Então alguns talvez não sejam realmente seus amigos. A questão é saber por quê. 

O antropólogo Robin Dunbar propôs há alguns anos que o número máximo de indivíduos com os quais podemos manter relações pessoais, e cultivar laços de amizade, é de aproximadamente 150 pessoas. Isso ocorre por causa de uma limitação cognitiva de seres humanos, e não pela falta de interesse em expandir nosso círculo de amizade.

O objetivo deste artigo é examinar algumas implicações que a hipótese de Dunbar tem para a filosofia moral. A ideia central que proponho aqui é que a "justiça" é uma convenção social indispensável para que possamos interagir de modo cooperativo no contexto de grupos que ultrapassam o "numero de Dunbar". O artigo retoma, por um lado, a teoria da justiça proposta por David Hume na terceira seção de Uma Investigação sobre os Princípios da Moral, e, por outro lado, a hipótese de Dunbar acerca do número máximo de indivíduos com os quais uma pessoa pode manter relações sociais estáveis. 

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© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de: "David Hume e o 'número de Dunbar': uma abordagem evolucionista sobre os fundamentos da moralidade". In: Veritas, 2016, v. 61, n. 1, p.89-106. DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1984-6746.2016.1.21659.

sábado, 7 de maio de 2016

Um presente para Alice (2016 / ficção)

Esse conto foi publicado em janeiro de 2016 na Revista Subversa. Trata-se de um texto de ficção, mas a narrativa gira em torno de um tema que me interessa bastante em filosofia: a questão do "aprimoramento humano".

Trecho: "Quando um velho atleta africano morreu na prisão, uns quarenta anos antes do aniversário de Alice, poucos ainda se lembrariam daquela tarde de sábado nas Olimpíadas de 2012 na Inglaterra: a imagem do esportista correndo sobre próteses, lado a lado de atletas normais, comoveu as multidões. Não lhe faltaram condecorações naquele ano glorioso, incluindo um doutorado honoris causa por uma obscura universidade escocesa. Pistorius entrou para a história dos esportes olímpicos. E por mais de uma razão."

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© Como citar este conto:
ARAUJO, Marcelo de. 2015. "Um presente para Alice". In Subversa 4(1): p. 35-40. ISSN 2359-5817.

domingo, 1 de maio de 2016

Os algoritmos e os desafios às novas configurações acadêmicas (2016)

Esse artigo resulta de minha pesquisa recente sobre filosofia da tecnologia. 

Imagine que houvesse um programa de computador capaz de gerar automaticamente uma monografia de final de curso, ou uma dissertação de mestrado, ou até mesmo uma tese de doutorado. Basta escolher o tema e indicar a bibliografia principal. O texto gerado pelo computador seria uma espécie de plágio? Que tipo de repercussão isso teria para a vida acadêmica?

Todos os dias milhares de textos gerados automaticamente por algoritmos são publicados na imprensa americana. Na livraria online da Amazon existem milhares de títulos que não foram escritos por pessoas, mas gerados por algoritmos. Recentemente um concurso literário no Japão contou a inscrição de onze romances escritos  ou em alguns casos co-escritos  por algoritmos para geração automática de textos. A pergunta sobre o impacto que esse tipo de tecnologia teria para a vida acadêmica ainda não vem sido debatida, mas eu acredito que esse vai se tornar um tema importante nas próximas décadas.

Neste artigo para a Revista do Instituto Humanitas eu examino esse problema de modo bastante sucinto. Na versão online os links não estão ativos, mas na versão em PDF é possível acessar praticamente todas as fontes que usei para escrever o texto.

[ PDF ]
[ online ]
[ em espanhol publicado pela agência de notícias Adital ]

© Como citar este artigo:
ARAUJO, Marcelo de. 2016. "Os algoritmos e os desafios às novas configurações acadêmicas". In: Revista do Instituto Humanitas Unisinos (São Leopoldo), n. 482, ano 16, 4 de abril de 2016, p. 14-16. ISSN 1981-8793.