sexta-feira, 6 de abril de 2018

Por que escrever um romance se você pode muito bem escrever um programa de computador? Chatbots e o futuro da literatura (artigo / 2018)

O livro Androides sonham com carneiros elétricos?, de Philip K. Dick, completou 50 anos este mês. A obra ficou mais conhecida pela adaptação para o cinema como Blade Runner, em 1982. ELIZA, de Joseph Weizenbaum, completou 50 anos também. Pouca gente ainda se lembra: ELIZA foi o primeiro programa de computador capaz de manter uma conversa com seres humanos. Mas o que essas as duas obras podem ter em comum além da idade? 

A primeira é uma obra de ficção sobre robôs. A segunda é um robô inspirado numa obra de ficção. Tanto Androides quanto ELIZA levantam questões sobre nossa relação com as máquinas. As duas obras tratam da pergunta sobre até que ponto programas de computador poderiam se tornar tão inteligentes a ponto de se passarem por seres humanos. Tanto uma quanto a outra, com outras palavras, nos levam a especular se não poderíamos criar um dia máquinas que possam realmente pensar, ou que pelo menos sejam capazes de passar no famoso “teste de Turing”.

[ artigo online
[ PDF versão com todas as notas ]

© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "Por que escrever um romance se você pode muito bem escrever um programa de computador? Chatbots e o futuro da literatura". In: Instituto Humanitas Unisinos, São Leopoldo, 5p., 5 abirl, 2018. 
(doi: 10.13140/RG.2.2.13015.78245).

Outro texto sobre o tema:
ARAUJO, Marcelo de. 2016. "A criação de chatbots é o futuro do trabalho do escritor? Gerando narrativas de ficção em sociedades algorítmicas". In: A personagem nos mundos possíveis do insólito ficcional. Caderno de resumos e programação. III Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional. Rio de Janeiro: UERJ / Instituto de Letras, p. 208. (ISBN 978-85-8199-055-2). Disponível aqui.

quinta-feira, 8 de março de 2018

O avanço tecnológico e os desafios éticos: Pesquisadores da UFRJ representam a América Latina em projeto internacional (entrevista / 2018)

Em dezembro de 2017 a Prof. Maria Clara Dias e eu demos um depoimento para a revista Rio Pesquisa, da FAPERJ, para falarmos sobre nossa participação no Projeto SIENNA. 

O Projeto Sienna é financiado pela Comissão Europeia no âmbito do programa Horizonte 2020, com um orçamento de 4 milhões de euros para um período de execução de três anos e meio, até 1 de abril de 2021. O projeto, coordenado pelo Prof. Philip Brey (Universidade de Twente, Holanda), é sustentado por um consórcio de pesquisa integrado por 11 instituições. A UFRJ é a única universidade da América Latina participante do projeto. No Brasil, o projeto é conduzido por mim e pela Prof. Clara Dias (UFRJ/IFCS, Departamento de Filosofia). 

O objetivo do projeto é promover um exame crítico acerca das implicações éticas e jurídicas decorrentes de três tipos específicos de tecnologia, a saber: aprimoramento humano, genômica humana, e inteligência artificial. Em seguida, o projeto pretende desenvolver diretrizes éticas e jurídicas para regular o uso dessas tecnologias.

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[ Projeto Sienna ]

© Como citar o texto dessa entrevista:
MOTTA, Débora. 2017. "O avanço tecnológico e os desafios éticos: Pesquisadores da UFRJ representam a América Latina em projeto internacional que propõe debate sobre os impactos do uso das novas tecnologias em áreas como a de engenharia genética". In: Rio Pesquisa (FAPERJ), vol. 41, ano 11, p. 14-18.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Quem precisa de sexo para engravidar? Novas tecnologias vêm ampliando a liberdade que as mulheres têm de tomar decisões importantes sobre suas próprias vidas (2017)


Cada vez mais mulheres, casadas ou não, vêm recorrendo à importação de sêmen humano para fins de reprodução assistida. Mas só há poucos meses foi divulgado o primeiro levantamento sistemático acerca dos números por trás do comércio de sêmen humano no Brasil, e sobre o perfil de seus consumidores. 

Em agosto deste ano a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou um relatório no qual revela que entre 2011 e 2016 houve um aumento de 2.625% na importação de amostras de esperma humano para dar início a gestações em centros de reprodução assistida. O relatório revela também que a busca se concentra na Região Sudeste e que há um predomínio da procura por doadores de sêmen que tenham olhos azuis. 

Mas por que importar sêmen humano? Por que esse número cresceu tanto em tão pouco tempo? Quais são as implicações éticas da constatação de que já podemos, ainda que de modo bastante limitado, delinear o perfil de nossos filhos e filhas antes mesmo de serem concebidos? 

Neste artigo eu tento dar uma resposta a essas questões. Eu tento mostrar que essa prática, longe de ser moralmente problemática, pode até representar uma ampliação do direito que as mulheres têm de tomar decisões importantes sobre suas próprias vidas. Publicado no Estadão.

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© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "Quem precisa de sexo para engravidar? Novas tecnologias vêm ampliando a liberdade que as mulheres têm de tomar decisões importantes sobre suas próprias vidas". In: Jornal Estadão, 28 de novembro de 2017. (doi: 10.13140/RG.2.2.16279.47523).

Quem precisa de crítica literária? Algoritmos já leem romances e conseguem analisar a estrutura de obras de ficção (2017)

Qual é característica distintiva de uma boa obra de ficção? Por que algumas obras literárias têm a capacidade de capturar nossa atenção a ponto de não conseguirmos mais largar o livro? Essa é uma questão bastante antiga. Na antiguidade Aristóteles escreveu um tratado de filosofia sobre esse tema chamado Poética

Mas Aristóteles só foi capaz de identificar a estrutura narrativa típica das grandes narrativas de ficção porque ele conhecia praticamente todas as peças de teatro de sua época . No entanto, face à enorme quantidade de obras de ficção publicadas em nossos dias, ninguém mais pode ter a expectativa de ler um vasto conjunto de obras literárias na tentativa de identificar algumas estruturas narrativas comuns.

Não seria então possível delegarmos a máquinas a tarefa de “ler” obras literárias em nosso lugar? Uma máquina não poderia talvez identificar os “arcos emocionais” comuns a diversas obras literárias com mais precisão do que qualquer ser humano? Na verdade, isso já vem ocorrendo. Esse artigo é sobre o uso de inteligência artificial para leitura e análise de obras literárias. Publicado no Estadão em outubro de 2017.

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© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "Quem precisa de crítica literária? Algoritmos já leem romances e conseguem analisar a estrutura de obras de ficção". In: Jornal Estadão, 31 de outubro de 2017. (doi: 10.13140/RG.2.2.33056.69121).

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Síndrome de Down e sentimentos morais: o caso dos abortos na Europa e EUA (2017)

"Romances, peças de teatro, e filmes, mais do que discussões filosóficas, são muitas vezes o motor de importantes transformações sociais. Obras de ficção têm o poder de redefinir nossa percepção das pessoas ao nosso redor de um modo que a investigação filosófica, por si só, não seria capaz. [...]"

"Mas ao sugerir que obras de ficção têm o poder de contribuir para a redefinição de nossa sensibilidade moral, mais do que a reflexão filosófica parece capaz, não é minha intenção promover nossas sensibilidades à função de critério último da moralidade. Afinal, nossas sensibilidades funcionam também, muitas vezes, como um critério inadequado para darmos uma boa resposta à pergunta sobre se devemos ou não reprovar uma prática, se devemos ou não condenar uma ação. [...]"

"Considere, por exemplo, a discussão recente sobre o aumento expressivo do número de abortos de fetos diagnosticados com trissomia 21, a condição genética que leva ao nascimento de crianças com síndrome de Down."

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© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "Síndrome de Down e sentimentos morais: o caso dos abortos na Europa e EUA". In: Jornal Estadão, 19 de setembro de 2017. (doi: 10.13140/RG.2.2.22990.36168).

terça-feira, 26 de setembro de 2017

A ética do aprimoramento cognitivo: Efeito Flynn e a falácia dos talentos naturais (artigo / 2017)

O debate contemporâneo sobre a ética do aprimoramento cognitivo tem se concentrado na pergunta sobre se, e em que medida, os indivíduos deveriam ter o direito a fazer uso de novas tecnologias para aumentar suas respectivas faculdades cognitivas. 

A pergunta sobre se haveria também uma obrigação correlata de implementarmos o aprimoramento cognitivo das pessoas não tem recebido a mesma atenção. 

Neste artigo, publicado na revista Ethic@, eu examino essa questão tendo em vista, por um lado, o denominado "efeito Flynn" e, por outro lado, políticas públicas para a saúde e educação que resultam, de modo direito ou indireto, numa forma de aprimoramento cognitivo das pessoas, especialmente em crianças.

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© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "A ética do aprimoramento cognitivo: efeito Flynn e a falácia dos talentos naturais". In: Ethic@, 2017, v. 16, n. 1, p. 1-14.


sábado, 12 de agosto de 2017

Editing the genome of human beings: CRISPR-Cas9 and the ethics of genetic enhancement (artigo / 2017)

Em 2015, uma equipe de cientistas usou uma nova técnica de edição de genes chamada CRISPR-Cas9 para editar o genoma de 86 embriões humanos não-viáveis. O experimento provocou um debate mundial sobre a ética da edição genômica. 

Neste artigo, eu discuto inicialmente as principais questões éticas que foram abordadas nesse debate. Embora já exista um consenso emergente de que a pesquisa sobre a edição de células somáticas humanas para fins terapêuticos deve ser levada adiante, a perspectiva de usarmos edição genômica no futuro com o propósito de "aprimoramento humano" (human enhancement) tem sido bastante criticada. 

A principal tese que defendo neste artigo é que algumas das objeções recentemente levantadas contra a realização de aprimoramento genético no futuro não são justificadas. Apresento dois argumentos para a moralidade do aprimoramento genético. O primeiro argumento procura mostrar que o quadro conceitual com base no qual já avaliamos a moralidade e a legalidade de nossos "direitos de reprodução", especialmente no contexto dos procedimentos de IVF (fertilização in vitro), poderia ser utilizado na avaliação da moralidade e legalidade do aprimoramento genético. O segundo argumento coloca em questão a suposição de que o nível médio de desempenho cognitivo humano tenha um caráter normativo.

[ PDF ]
[ site da revista

© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "Editing the genome of human beings CRISPR-Cas9 and the ethics of genetic enhancemen". In: Journal of Evolution and Technology. vol. 27, n. 1, p. 24-42.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Análise da repercussão do primeiro experimento envolvendo o uso de CRISPR-Cas9 para a edição genética de embriões humanos nos Estados Unidos (Entrevista / 2017)

Em julho de 2017 foi noticiado o primeiro experimento envolvendo o uso de CRISPR-Cas9 na edição de embriões humanos nos Estados Unidos. Três experimentos desse tipo já haviam sido realizados na China entre abril de 2015 e início de 2017. Mas o experimento nos Estados Unidos foi diferente em alguns aspectos importantes: ele utilizou embriões viáveis, não teve mutações off-target, e apresentou um baixo índice de mosaicismo. 

Tal como o primeiro experimento na China, esse novo experimentou gerou uma série de reações na imprensa mundial e na comunidade científica. 

Nesta entrevista para a a revista do Instituto Humanitas Unisinos eu discuto algumas questões éticas importantes relacionadas ao uso de CRISPR-Cas9 em células humanas.

[ PDF ]
[ revista ]

© Como citar o texto dessa entrevista: 
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "Análise da repercussão do primeiro experimento envolvendo o uso de CRISPR-Cas9 para a edição genética de embriões humanos nos Estados Unidos". In: Instituto Humanitas Unisinos. Entrevista concedida a Patricia Fachin, em 9 de agosto de 2017. DOI: 10.13140/RG.2.2.34528.58885.

Este texto está também disponível no Research Gate.

Eu contribuí também para uma reportagem de Martha San Juan França sobre esse tema, publicada em 18 de agosto de 2017 no jornal Valor Econômico.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

A ética da edição genômica em debate (programa de rádio / 2017)

Alcino Bonella tem um programa chamado “Quem sabe faz a hora”, na Rádio Universitária Uberlândia FM. O programa trata de questões éticas atuais. A convite do Alcino, eu falei na rádio esta semana sobre a ética da edição genômica. 

O uso de uma nova tecnologia para se "editar" o código genético de organismo vivos vem causando uma revolução na medicina, na biotecnologia, e na agropecuária. A ferramenta se chama CRISPR-Cas9. Essa nova tecnologia já foi usada, por exemplo, na produção de novas sementes de arroz e de batata, mais resistentes a pragas. CRISPR-Cas9 já foi usado também para a criação de mosquitos que não transmitem dengue e zika. Há também a expectativa de que CRISPR-Cas9 possa um dia levar à cura da AIDS e à erradicação de vários tipos de câncer e doenças hereditárias.

O problema, porém, é que que CRISPR-Cas9, em princípio, poderia ser usado também para outros fins como, por exemplo, modificar o genoma da varíola bovina com o objetivo de se recriar o agente patogênico que causa a varíola, erradicada no século XX. Ou seja: CRISPR-Cas9 poderia ser usado na produção de armas biológicas assustadoras.

Além disso, CRISPR-Cas9 poderia ser usado também, no futuro, para a modificação genética de embriões humanos que teriam características "melhoradas", ou seja embriões manipulados geneticamente com vistas à geração de crianças mais inteligentes, mais fortes, etc. Mas isso seria desejável, ou moralmente aceitável?

O debate sobre a ética da edição genômica está apenas começando.

[ áudio ]
[ PDF - transcrição ]

© Como citar este texto: 
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "A ética da edição genômica em debate". In: Quem sabe faz a hora. Rádio Universitária Uberlândia FM (107,5 MHz). Apresentação de Alcino Bonella. Uberlândia, 27 de julho (Parte 1) e 3 de agosto (Parte 2). DOI: 10.13140/RG.2.2.25592.75524.

Este texto está também disponível no Research Gate.

sábado, 22 de julho de 2017

Manipulação e Fake News: Debate no Goethe-Institut (2016)

Em dezembro de 2016, o Goethe-Institut do Rio de Janeiro organizou um debate sobre fake news. Christopher Bieber, Professor de Ética na Gestão Pública e Social da Universidade de Duisburg-Essen (Alemanha), fez uma palestra sobre o tema. Em seguida, eu apresentei alguns comentários, disponíveis no link abaixo. 

Tem havido muita discussão recentemente sobre como controlar, regular, ou banir fake news das redes sociais. No comentário, eu sugiro que a existência e proliferação de fake news podem contribuir para a gradual emergência de uma postura mais crítica relativamente às notícias que lemos e compartilhamos nas redes sociais. 

Eu chamo atenção para dois casos de fakes news criativas. O primeiro diz respeito a um programa de rádio produzido por Orson Welles em 1938; o segundo caso diz respeito às postagens do escritor Ricardo Lísias, em seu perfil no Facebook, ao longo de 2015.

[ PDF ]

© Como citar esta palestra: 
ARAUJO, Marcelo de. 2016. "Manipulação e fake news". Debate na Biblioteca do Goethe-Institut. Rio de Janeiro, 7 de dezembro.
DOI: 10.13140/RG.2.2.17363.07207

terça-feira, 20 de junho de 2017

Próteses na cultura do período entreguerras: Uma investigação sobre as origens do debate filosófico sobre "aprimoramento humano" (2017 / artigo)

No debate filosófico contemporâneo, denomina-se “aprimoramento humano” a tentativa de se elevar nosso rendimento, no exercício de certas capacidades físicas ou cognitivas, a um patamar superior àquele considerado normal. O “aprimoramento humano” suscita uma série de questões éticas acerca das implicações sociais decorrentes do uso de tecnologias, não para se tratar uma doença ou restabelecer capacidades físicas perdidas em acidentes, mas para ampliar as capacidades físicas ou cognitivas de uma pessoa saudável. 

O objetivo deste artigo é mostrar que esse debate não é novo. Ele surgiu há quase cem anos, no período entreguerras, no contexto de um amplo debate sobre quais tipos de próteses permitiriam aos ex-combatentes, mutilados durante a guerra, serem reintegrados à força de trabalho de seus países de origem.

[ PDF ]
[ site da revista ]

© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "Próteses na cultura do período entreguerras: Uma investigação sobre as origens do debate filosófico sobre aprimoramento humano". In Prometeus. 23(maio-agosto): p. 267-298. ISSN: 2176-5960 

Imanges
Para este artigo eu selecionei um total de 11 imagens, mas apenas 4 puderam ser incluídas na versão publicada. A seguir, a lista completa das imagens originalmente selecionadas. Basta clicar no link para acessar a imagem em alta resolução.


“Reconstruindo o soldado aleijado”. Livreto da Cruz Vermelha. Fonte: McMurtrie, 1918, p.2.




“Reconstruindo o soldado aleijado”. Livreto da Cruz Vermelha. Fonte: McMurtrie, 1918, p.6.



figura 3:
“Prótese científica” e “mão de passeio”. Fonte: Amar, 1917, p.289.
figura 4:
“Prótese científica” e “mão de passeio”. Fonte: Amar, 1917, p.295.
Pino de marfim atravessa canal criado na extremidade do membro amputado. Fonte: Sauerbruch, 1919, p.240.
figura 6:
Modelo de prótese projetada por Sauebruch. Fonte: Sauerbruch, 1919, p.242.
figura 7:
“Cabeça mecânica − o espírito de nosso tempo” (Mechanischer Kopf − Der Geist Unserer Zeit), 1920, de Raoul Hausmann.

figura 8:
“Os jogadores de skat” (Die Skatspieler), 1920, de Otto Dix. 

figura 9:
“Monumento à prótese desconhecida” (Denkmal der unbekannten Prothesen),1930, de Heinrich Hoerle.
figura 10:
“Autômatos republicanos” (Republikanische Automaten), 1920, de George Grosz.

figura 11:
“Daum se casa com George, seu autômato pedante, em maio de 1920. John Heartfield se alegra.” (Daum heiratet ihren pedantischen Automat George in Mai 1920. John Heartfield erfreut sich), 1920, de George Grosz.


sábado, 10 de junho de 2017

Um dossiê sobre aprimoramento humano: Introdução (artigo / 2017)

Este é o artigo introdutório de um número especial da revista Filosofia Unisinos, dedicado ao debate contemporâneo sobre "aprimoramento humano" (human enhancement). O dossiê traz a contribuição de quatro autores brasileiros para esse debate: Maria Clara Dias, Marco Azevedo, Cinara Nahra, e Marcelo de Araujo. 

Os quatro artigos que integram o dossiê foram especialmente escritos para esta edição. Faz também parte do dossiê uma sequência de comentários em que as autoras e autores dos artigos se posicionam uns relativamente às teses e teorias defendidas ou criticadas pelos demais.


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© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "Um dossiê sobre aprimoramento humano: Introdução". In: Filosofia Unisinos, vol. 17(3):346-351, sep/dec 2016. DOI: doi: 10.4013/fsu.2016.173.16.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Redesenhando a natureza humana: Bio-aprimoramento moral e a busca pela resolução de conflitos políticos (artigo / 2017)

A suposição de que conflitos políticos decorrem do caráter egoísta da natureza humana é uma ideia bastante antiga. Essa ideia perpassa a obra de autores tão diversos como, por exemplo, Maquiavel, Thomas Hobbes, Sigmund Freud, e Hans Morgenthau. Essa tese foi também recentemente retomada no debate sobre o bioaprimoramento moral. 

Os defensores do bioaprimoramento moral sustentam duas teses: [1] A biotecnologia poderia ser utilizada para modificar a natureza humana, tornando as pessoas mais cooperativas e menos egoístas; e [2] Um incremento da disposição para a cooperação social, para a benevolência e para a empatia reduziria a ocorrência de conflitos políticos violentos na arena internacional. 

Neste artigo, eu proponho que a primeira tese pode até ser verdadeira, mas disso não se segue que conflitos políticos na arena internacional possam ser contornados por meio da biotecnologia. A tese que defendo é que o bioaprimoramento moral da humanidade não reduziria a probabilidade de que ocorram guerras nucleares, bioterrorismo, ou cyber-attacks no futuro.

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[ site da revista ]

© Como citar este artigo:
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "Redesenhando a natureza humana: Bio-aprimoramento moral e a busca pela resolução de conflitos políticos". In: Filosofia Unisinos, vol. 17(3):374-383, sep/dec 2016. DOI: doi: 10.4013/fsu.2016.173.16.

sábado, 6 de maio de 2017

O que é a ética do aprimoramento humano? (2017 / palestra)

Este é o texto de uma palestra que fiz em maio de 2017, por ocasião da "XIII Semana de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro". Trata-se basicamente de uma introdução à discussão filosófica sobre a ética do aprimoramento humano para estudantes de graduação e pós-graduação. 

O trabalho faz uma distinção entre “método de aprimoramento” e “tipo de capacidade humana” que se visa aprimorar. Da relação entre essas duas ideias se seguem diversos problemas morais diferentes, que tornam o debate filosófico contemporâneo sobre a ética do aprimoramento humano bastante amplo e complexo. O trabalho defende a tese segundo a qual não há uma linha fixa que delimite o âmbito do tratamento do âmbito do aprimoramento. A referência ao “efeito Flynn” é explorada como um dos argumentos em favor dessa tese.

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© Como citar o texto desta conferência:
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "O que é a ética do aprimoramento humano". XIII Semana de Pós Graduação em Filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 27 de maio de 2017, 11p. DOI:10.13140/RG.2.2.18967.57760.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Os homens por trás da toga (2017 / entrevista)

Que os juízes nos tribunais tenham de justificar suas decisões, essa é uma ideia trivial. Mas o que conta, e o que não conta, como uma decisão jurídica bem fundamentada? Até que ponto as decisões jurídicas não seriam talvez influenciadas por fatores inteiramente externos ao âmbito estrito da argumentação jurídica?

Essas são algumas das questões que um grupo de pesquisadores da Filosofia do Direito, no Brasil e na Inglaterra, se propôs a examinar. O projeto de pesquisa contou com o apoio financeiro da FAPERJ. A equipe de pesquisadores é formada por Noel Struchiner, Fabio Shecaira, Veronica Rodirguez-Blanco, e Marcelo de Araujo.

Nessa reportagem para a revista Rio Pesquisa, a jornalista Aline Salgado fala sobre o nosso trabalho. Para acessar, é só seguir o link.

[ PDF ]
[ site ]

Como citar esta reportagem: 
SALGADO, Aline. 2017. "Os homens por trás da toga". In: Rio Pesquisa, n. 37, ano IX, p. 10-12.